Posts tagged: caminhando

caminhando 4/4

By luis, 25/Feb/2008 23:53

e, ao perceber que ela olhava atentamente, ele aproximou-se e disse:

- que foi? isso aqui é cicatriz de facada.. nunca viu?
- facada? meu deus… de verdade?
- na hora não doeu muito. doeu mais ainda quando olhei.
- deve ter saído muito sangue né…
- um pouco. foi corte grande mas não fundo. tenho uma no peito também.
- ah pára..
- você duvida de todos os desconhecidos?
- no peito ninguém vive. se fosse no peito você já teria morrido.
- e aqui nas costas foi punhal, olha…
- meu namorado chegou!

e ela correu.

Caminhando 3/4

By luis, 09/Jul/2007 15:23

Os telefones públicos que, por dias, foram destinos hoje apenas assistem àquela cena: O homem parado no centro. Estático. Sem ação. Pensando em todo o caminho que percorreu, tudo o que falou, tudo o que aconteceu nestes últimos dez anos… e concluiu que andou, andou, andou e não chegou a lugar algum.

A única coisa que conseguiu foi chegar ao centro de algum lugar escuro, após um longo caminho em espiral. E agora está perdido, sem saber como voltar. Voltar para casa, ao menos, pois no tempo ele não pode voltar.

Se pudesse voltar no tempo, faria tudo novamente, mas do jeito errado, só para ver o outro lado da vida.

E quando o dia chega e o céu fica azul, as pessoas continuam passando por ele, apressadas para mais um dia de trabalho. Todos olham com estranheza para aquela estátua de carne e osso, de coração gelado, mas com a mente fervendo.

E todos continuam suas vidas.

Caminhando 2/4

By luis, 03/Jul/2007 00:08

A garoa fina, a luz amarela de cada lâmpada em cada poste, a rua molhada. Cada carro passa em câmera lenta. Um carro a cada dez horas, uma pessoa por dia, segurando o jornal dobrado tentando se proteger da chuva. O mais agitado da cena é o boneco do semáforo para pedestres.

E ele vai, rumo ao nada, mas com a sensação de já ter passado por ali antes. Ou ao menos ali por perto. Até perceber que caminha em uma espiral. De fora pra dentro.

Até chegar no centro.

Caminhando 1/4

By luis, 01/Jul/2007 23:55

Ele não tem muito a oferecer, mas também não deve nada a ninguém. Ou quase ninguém… mas isso não vem ao caso. O que importa é o diferencial, ou a falta dele.

Andava pelas ruas, era noite fria de junho. Tudo lhe chamava a atenção, mas nada era importante. Olhava as placas de todos os carros estacionados rente à calçada e admirava o fato da baliza ser tão bem feita. Depois, o fato da pessoa possuir um carro. Logo após, o fato do proprietário de cada carro ter um motivo para sair de casa e encostar logo ali.

Era um bar. Mesas para fora, para dentro… mas nenhuma na calçada. E por essa calçada ele passou, olhando para dentro. Muita gente. Todos bebendo, despreocupados. Ninguém aparentava discutir sobre algo importante.

Seguiu reto, rumo a… nada. Quando o carro vermelho passou por ele, sentiu na pele a água gelada disparada pela janela. Seguiu reto e sentou-se no meio-fio de uma das dezenas de ruas escuras percorridas, e lá permaneceu por umas duas horas.

Parecia um louco, e até agora ninguém sabe se era, ou é, ou estava. Confuso, pensativo, lembrava de todas as vezes que causou dúvidas ruins em boas pessoas. Mediu a quantidade de perguntas feitas a desconhecidos, e percebeu que era a hora de mudar. Costumava convencer os fracos a, sem armas, atacar os fortes, e assistia a derrota dali, do meio-fio.

Catarse.

Quis mudar. Resolveu mudar. Levantou-se e seguiu pelas ruas frias e escuras da mesma maneira de antes…

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